15 de junho de 2017

Uma imagem real da maternidade #2

O Matias fez um ano no dia 14 de Maio. No dia 15 de Maio regressei às 'quarenta' horas de trabalho semanais (estava com trinta) e às urgências de doze horas (fazia 'só' dez).

No dia 19 de Maio fomos para Santorini. Foi uma viagem muito gira, mas também incrivelmente cansativa.

Nos últimos oito dias fiz três urgências de doze horas à noite (das 20h às 8h).

O Matias está aparentemente a passar uma qualquer fase. Já está bastante melhor na parte da alimentação (agora 'só' não come fruta e papa, e mesmo assim vai provando um bocadinho) e dorme como um anjinho durante a noite (embora nem sempre durma de dia), mas está claramente numa fase de afirmação e de testar os limites (hello birras). Também está mais fofo a cada dia que passa, mas é um facto que esta está a ser a fase mais desafiante da maternidade (até agora, pelo menos).



No Sábado cheguei a casa às nove da manhã (depois de ter feito doze horas de urgência) e o Matias tinha acabado de acordar. Quando o fui buscar descobri um cenário absolutamente dantesco. Vou poupar-vos dos detalhes, mas resumindo: estamos todos com uma gastroenterite do demónio. Desde Sábado que a única refeição que eu e o Pedro fazemos é o pequeno-almoço (vá, ontem conseguimos jantar). É impressionante como o miúdo parece ser quem está melhor neste filme todo: umas três ou quatro diarreiazitas até ao cabelo (literalmente) e está fino, enquanto nós andamos aqui com ar de quem foi atropelado.

No meio disto tudo, estamos muito cansados. Estamos mais do que cansados. Estamos esgotados. Estamos sem paciência. Estamos mal-humorados. Estamos irritados. Discutimos que nem uns perdidos por causa de coisas parvas que nunca nos incomodaram.

(E eu sou uma Hufflepuff, como imaginam não sou propriamente uma pessoa conflituosa.)

No passado fui acusada de passar uma imagem 'demasiado boa' da maternidade, por isso aposto que agora essa malta está a esfregar as mãos de contentamento. A verdade é que neste momento a minha imagem real da maternidade é esta: o meu momento preferido do dia é quando entro no quarto do Matias de manhã e ele começa aos pinotes na cama... Seguido muito de perto pelo momento em que o deitamos à noite e nos atiramos para o sofá, cada um para o seu lado, a fazer coisas estupidificantes (o Pedro a ler blogues do Sporting, a ver jogos de todas as modalidades do Sporting ou a jogar FreeCell, eu a jogar Episode, a ler fóruns de mamãs e a planear a festa do vigésimo aniversário do Matias).

E a vida vai continuando. É só uma fase má. Amanhã eu vou acordar, vou invocar todas as minhas energias para conseguir levantar-me da cama, vou contar trinta vezes quantos dias faltam para as minhas férias (com uma certa ambivalência de sentimentos, porque vamos de férias sem o Matias), vou trabalhar, vou apanhar o Matias na creche (o Pedro está de urgência), vou brincar com ele, vou deitá-lo, vou suspirar de alívio e vou esperar pelo Pedro para podermos não jantar e ir para a cama às dez porque estamos esgotados.

E pelo meio disto tudo, e por muito masoquista que isto possa parecer, entristece-me pensar que não poderei ter outro filho agora. Por muito masoquista que isto possa parecer, gosto muito de ser mãe e gostava muito de voltar a engravidar agora. Por muito masoquista que isto possa parecer... A verdade é que estou feliz. Cansada, mas feliz. Irritada, mas feliz. Farta de tudo, mas feliz.

Bem-vindos à realidade ambivalente das mães.

7 comentários:

  1. Acho que este texto, apesar de retratar momentos mais desafiantes, reflete na perfeição o que a maioria das mães sente. Mesmo esgotadas, cheias de cocó até aos olhos, e irritadas, olhamos para os nossos filhos e agradecemos pelo dia em que tivemos a brilhante ideia de ser mães. Nunca, nunca mesmo, nos arrependemos. Aguentamos todo o cansaço (com pior ou melhor humor) sabendo que vale muito a pena.
    No dia do parto da minha filha mais velha, que foi bem complexo e dolorido, logo depois dela nascer, soube logo que queria engravidar novamente, o mais rápido possível. Não chorei, não me lembro de me sentir especialmente emocionada (com a segunda filha já foi diferente, fartei-me de chorar de felicidade) mas lembro-me de pensar que queria tudo de novo. :P

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  2. Sim, é uma fase. :) É engraçado como me lembro de andar por aqui a comentar posts completamente exausta, saturada, irritada e não conseguia entender a maneira cor-de-rosa como vias as coisas. :) Agora, ao longe, percebo que estávamos apenas em fases diferentes de vida dos bebés (tu numa fase fácil e eu numa fase mais desafiante). Por isso, digo-te aquilo que já sabes: é mesmo uma fase. Nós estamos agora numa fase fácil, mas não deixa de dar trabalho tê-la 24h comigo e quando a adormeço penso muitas vezes que me apetece um copo de vinho e um cigarro para relaxar (eu que não bebo alcool nem nunca fumei na vida :D ).

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  3. Não sou mãe e não sei se serei algum dia mas acho que a ideia que tenho da maternidade é muito essa: ambiguidade de sentimentos e de emoções. Deve ser uma verdadeira avalanche emocional mas com certeza passariam fases mais difíceis/ menos boas mesmo que não fossem pais, pelo que ter o vosso menino só vos pode dar maior alento numa fase mais complicada. Coragem, tudo passa. E nã tarda poderás dar um(a) irmão(ã) ao Matias :) Beijihos e desejo que tudo melhore*

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  4. São fases. E mesmo nessas fases temos momentos em que estamos felizes, e ao mesmo tempo irritadas e cansadas. Às vezes não sei como aguento algumas dessas fases mas depois passam e aparecem os sorrisos e os abraços, e a vontade de sorrir ainda mais. E a roda volta a girar. Beijinhos.

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  5. A realidade e que o amor que sentimos por um filho nao tem explicacao (acho que quem nao e mae nao consegue mesmo imaginar). Os sorrisos e o cheirinho deles compensa imensa coisa. Mas sou mae ha apenas tres meses e estou exausta. A fase das colicas foi uma fase muuuito complicada. Agora e a fase das birras para dormir, ja menos dificil. Mas durante os picos de crescimento... sono misturado com o facto de querer mamar o tempo todo, de nao dormir de dia(ou adormecer com imensa dificuldade) e de acordar imensas vezes de noite... Continua por ainda nao ser uma fase propriamente facil(se e que existem). Concordo com tudo. Mas ao contrario de ti eu nao quero voltar a engravidar num futuro proximo (e isto se um dia quiser...). Amo o meu filho. E a melhor coisa da minha vida. Mas nao sei se um dia estarei preparada para o desafio de um 2o filho. Eu ja estou (muito) cansada com um. Nao imagino com dois. E que acho que devemos escolher bem as batalhas que queremos travar. A maternidade tem tanto de maravilhoso como de desafiante. E acho que ter um segundo filho implica menos tempo para o primeiro e muito mais cansaco. Mas acho optimo para as criancas terem irmaos. Familias numerosas Sao lindas. Talvez daqui a uns 6 anos ate pense nisso. Mas ter dois bebes ao mesmo tempo neste momento para a minha realidade (e saude mental) nao seria possivel. Mas sem duvida que e so mais uma fase. Sabes eu ate costumo dizer que o meu filho deve ter um irmao gemeo que me ocultaram... E que uns dias esta tao diferente de outros. Muda tao rapido. Ate uma certa idade acho que estao mesmo sempre a mudar. Ha que ter muita paciencia.

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  6. São fases que vêm, são fases que vão e dão lugar a outras. Mas são fases que deixam muitas saudades. O Matias vai gostar de ler tudo o que mãe escreveu sobre ele. Sigo em silêncio este blog há muito tempo. Tenho uma princesa de 3 anos e comecei há pouco tempo a escrever para ela também. Tenho pena de não o ter feito há mais tempo. É terapêutico para nós e acredito que no futuro eles vão adorar ler (nós vamos de certeza!!!). Parabéns! Fica o convite para espreitar os meus textos (damaeparati.wordpress.com)! ;)

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  7. ♥ não sabia que eras Hufflepuff, :) eu sou Ravenclaw XD

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