11 de junho de 2017

Manter a calma.

Há uma semana o Matias decidiu entrar em cheio na fase do negativismo e começou a recusar comer em casa.

O desgraçado que até azeitonas comia agora vira a cabeça, empurra o prato, bate na colher, fecha a boca e por vezes cospe. Geralmente não quer comer a sopa (mas depois come quando nos vê a comer a nossa), come bem o prato (quando lhe apetece) e recusa terminantemente a fruta. Também não come a papa, embora coma muito bem o iogurte. Inicialmente passou a beber apenas uns 60ml de leite, mas agora já voltou aos 270ml da praxe (de manhã e antes de deitar). Na escola aparentemente come bem, embora a educadora tenha referido que na Quinta-feira não quis comer a papa e 'forçou o vómito'.

Nós compreendemos o que se passa e não insistimos. Quem conhece o trabalho do Brazelton e o modelo dos Touchpoints sabe que o negativismo é uma fase absolutamente normal e expectável do desenvolvimento, e que o ideal é não entrar em conflito com o bebé.

(Quem não conhece o trabalho do Brazelton e o modelo dos Touchpoints devia conhecer!)

Assim, se o Matias não quer comer a sopa passamos para o prato, se não quer comer o prato passamos para a fruta, como ele não quer comer a fruta volta para a brincadeira novamente e não come absolutamente nada até à próxima refeição. Inicialmente ainda insistíamos, mas agora é tudo muito pacífico: não quer não come, mas também espera até à próxima refeição para comer.

Há possivelmente aqui um componente de anorexia fisiológica do segundo ano, bem como uma certa frustração por querer comer sozinho e não conseguir por ser tosquinho. Adicionalmente, é possível que ele esteja a fazer um surto do desenvolvimento e esteja a recuar na parte da alimentação, tal como anteriormente recuou na parte do sono (que agora anda lindamente, graças aos santinhos!). Além disso, o miúdo anda nitidamente focado na brincadeira e só quer brincar brincar brincar, por isso percebo que nesta fase comer seja uma seca.

Mas caramba, isto é mesmo difícil. É difícil manter a calma. É difícil lidar com a insegurança. É difícil lidar com o cansaço. É difícil não entrar em conflito e depois ter de aturar a resmunguice do miúdo porque tem fome duas horas depois de se ter recusado a comer a papa.

Essencialmente, é difícil manter a calma.

7 comentários:

  1. Os meus pais usavam este esquema: nao quer, não come. E não come mesmo nada até à próxima refeição xD
    Nós não fazíamos birras pelo meio, devia ajudar. Não comíamos às vezes porque não tínhamos mesmo ou não gostavamos daquela comida ou apenas porque sim :P mas resultou, nunca houve chatices por causa da hora de refeição, e com 3 ou 4 anos comíamos tudo sem reclamar (e ainda hoje somos boas bocas!). O lema da minha mãe (que ouvi muitas vezes) : "Ninguém passa fome à frente de um prato de comida". E é verdade :) boa sorte*

    ResponderEliminar
  2. olá joana!
    Em bebé nunca recusei comida e os meus pais davam-me de comer até eu parar de chorar, porque chorava muito e não dormia. Em criança, entre os 3/4 os 12 anos, mesmo quando tinha fome, nem sempre tinha vontade de comer. Os pais esperavam a mesa que eu acabasse sem nunca me dizerem para comer e eu esperava que eles desistissem. Nunca aconteceu. Às vezes estava 3horas à mesa. Também não era capaz de dizer que não queria comer. Então, ao fim de (muito) tempo, perguntavam se preferia comer o jantar ao pequeno almoço ou o almoço ao lanche ou o lanche ao jantar. Eu dizia que sim. E chegar a a proxima refeição comia, independentemente do que fosse. E se não comesse, comia na seguinte.

    Com a minha irmã nunca aconteceu nada do mesmo, ela quando nao queria comer fazia birras ou dizia que não queria. Nunca comeu peixe cozido ao pequeno almoço.

    Eu desenvolvi DCA e ela não...
    Mas mais uma vez: isso nada tem que ver com comida.
    Os bebés comem se tiverem fome, o importante é só dar a comida na hora enão "lanches" porque obviamente eles se comerem, depois não têm fome!

    Beijo grande, parabéns!

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Olá Diana :)

      Eu sei que até sou da área e tudo, mas sinceramente acho que é muito fácil nós olharmos para trás e encontrarmos relação com as coisas. Mas nem sempre um determinado comportamento trará essa consequência. Sei lá, quando eu tive anorexia olhei para trás e percebia claramente uma relação entre coisas da minha infância (e até nos meus pais) e o que me estava a acontecer, e acho que inclusivamente acabei a culpá-los durante uns tempos (e eles culparam-se também). A verdade é que me aconteceu, tal como poderia não me ter acontecido. Aconteceu-me porque sou obsessiva, perfeccionista e reajo ao stress controlando as coisas à minha volta para sentir que está tudo 'bem'. Aconteceu-me porque tenho traços de personalidade para isso e porque numa determinada altura da minha vida achei que controlar a comida me poderia ajudar a controlar a minha vida (acho eu, mas mais uma vez é fácil olhar para trás agora e arranjar razões).

      Isto para dizer que há variadíssimas razões pelas quais tu podes desenvolver isto ou aquilo, e a mesma reacção da parte dos pais terá inúmeras consequências diferentes em crianças diferentes. É por tentativa e erro :D

      Eliminar
  3. Olá Joana, não tens ideia do quão reconfortante é perceber que é apenas uma fase e assim sendo, bastante transversal aos bebés desta idade.
    O meu mais novo (13 meses) sempre comeu tão bem, paz de alma. Ultimamente é uma hora com ele na cadeirinha, é extremamente desgastante.
    Também está na fase de achar que dormir ou estar parado é uma seca gigante, para ele é andar andar andar, explorar tudo, mexer em tudo. Mas ainda não anda sozinho, precisa de uma mãozinha nossa, pelo que eu faço piscinas com este miúdo agarrado a mim.
    Mas apesar de tudo, são a melhor coisa deste mundo!
    Beijinhos
    Carla
    https://omundodacarlaaos30.blogspot.pt/

    ResponderEliminar
  4. Também passei por uma fase semelhante (na verdade, até acho que já foi mais do que uma) e o meu comportamento foi semelhante ao teu, mas não tão "radical" (porque a Mini-Tété assim não o exigiu, se calhar). :)
    À hora do pequeno-almoço (ou almoço ou lanche ou jantar) lá a sentava para comer. Se recusava, tentava novamente e se recusasse novamente, ia brincar. Uma hora depois voltava a tentar e aí ela sempre comeu sem birras (nem que fosse apenas a sopa e não quisesse mais nada). Acho que assumi que, tal como nós, ela podia não ter fome à hora normal da refeição e que podia esperar mais um pouco para ver se o apetite vinha. Acho que nunca saltou nenhuma refeição, simplesmente comeu-as fora de horas. :)

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Cá em casa somos mais ditadores :P Na verdade é o que está descrito nos livros e faz-me sentido: se não quer comer não come, mas também não anda a petiscar depois :P Mas são estratégias diferentes :) Aqui não há fórmulas erradas (quer dizer, haver até há, mas certamente não são estas) :)

      Eliminar
    2. Sou sincera: leio muita coisa e li também sobre a anorexia fisiológica do 2°ano de vida, etc, mas não li o que devemos fazer nestas fases, por isso guiei-me pelo instinto. :P Até porque no meu caso, ela não petiscava entre refeições como alguns bebés que não conheço (não comes a sopa mas pronto, come lá 3 bolachas para não ficares de estômago vazio). Simplesmente em vez de almoçar ao meio-dia e meia, almoçava às 13h ou às 13h30, geralmente a refeição completa. E depois mantinha o lanche e o jantar com esse "atraso", de forma a que ela ficasse sempre mais ou menos com as mesmas horas sem comer entre as refeições. O que no teu caso não funcionaria porque ao que sei tens uma rotina mais restrita em relação ao deitar do Mateus. Aqui é ali algures entre as 21h e as 22h, pelo que o jantar pode bem ser às 20h ou uma hora depois. :)
      E concordo são estratégias diferentes (embora acredite piamente em ti quando me dizes que os livros referem as estratégia que usaste :D ).

      Eliminar

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...r: 0" />