15 de março de 2017

Disneyland Paris 2017 - O resumo! :D

Há uns dois meses a Joana veio ver o Matias cá a casa (não é toda a gente que se pode gabar de ter uma pediatra no domicílio!), e como forma de agradecimento oferecemos-lhe o jantar. A meio do jantar a Joana pousou os talheres, fez um ar solene e disse:

'Quero ir à Disney.'

Não precisei de mais nada. Começámos a pensar na logística ainda nessa noite, encontrámos um fim-de-semana em que não tínhamos urgências, formações ou congressos (o que foi a parte mais difícil, diga-se), marcámos os voos e o hotel e lá fomos. Passámos dois dias inteirinhos na Disneyland, e nos próximos dias vou mostrar-vos as fotos.

Na publicação anterior dizia-vos que precisava de férias de ser adulta. Pois, cá estão elas.








Espero que gostem! :D

7 de março de 2017

Ser mãe é cansativo?

Estou muito, muito cansada. Ontem queixava-me disso no grupo de WhatsApp que tenho com a minha família, e a minha mãe comentou que podia deixar o Mati a passar uns dias com eles para nós descansarmos.

E eu fiquei a pensar naquilo. Na verdade, o problema é que eu não preciso de descansar do meu filho. Porque não estou cansada de ser mãe.

Eu estou é cansada de ser adulta.

Acordar cedo, ficar parada no trânsito, comer o pequeno-almoço no carro, trabalhar, gramar com chatices, engolir o almoço à pressa, trabalhar mais, ficar novamente parada no trânsito, arrumar a casa, lavar e estender a roupa, ir às compras, tratar das contas, fazer o jantar, tentar ter tempo e disponibilidade mental para telefonar à família e aos amigos a dizer que ainda estamos vivos, planear as 28147398265465 viagens que queremos fazer nos próximos tempos (não me estou a queixar, mas é inegável que dá imenso trabalho), deitar-me tarde porque há mil e uma coisas para fazer... Tudo isto cansa-me, e muito.

(Vou passar a chamar a estas tarefas 'gerir o nosso património', acho que dá um ar mais glamouroso à coisa.)

No meio disto tudo, ser mãe é a tarefa mais relaxante da minha vida. Poder estar com o meu filho, brincar, saltar, fazer palhaçadas, cozinhar para ele, trocar-lhe fraldas, deitá-lo, vê-lo a rir, dar-lhe banho, obrigá-lo a lavar os dentinhos, obrigar o Pedro a descrever ao mais mínimo detalhe o dia do miúdo na creche e fazer coisas chatas e aborrecidas não é minimamente cansativo, muito pelo contrário: é a melhor parte do meu dia (seguido de perto pelo momento em que finalmente deito o lombinho na cama e faço conchinha com o Pedro).

Todos os dias invoco todas as minhas forças para estar totalmente disponível para o Matias em todos os momentos. E estou. Mas quando ele vai para a caminha atiro-me para o sofá, completamente esgotada.

Porque ser adulto é muito, muito cansativo. E uma seca das grandes.

Preciso de férias disto.

A festa de anos do Matias.

A festa de anos do Matias está a dar um trabalhão doido, e sinceramente dou graças aos santinhos por ter começado a planear tudo há uns trinta mil anos atrás (aliás, acho que vou começar a planear a festa do segundo aniversário dele logo a seguir!) (o tema vai ser a Rua Sésamo!) (ainda ando a pensar em mudar de especialidade, se calhar devia abrir uma empresa de organização de festas!) (pára de divagar Joana!).

Agora comecei a fase dos trabalhos manuais mais intensivos, o que implica imprimir montanhas de coisas em cartolinas, recortar, montar, dobrar, colar, pintar, secar... Enfim, toda uma epopeia.

Já temos dia, local, fotógrafa, lista de convidados, convites, bolo, lista de comidas, empresa para alugar mesas e pufs, mantas, toalhas, almofadas temáticas, uma bandeirola decorativa (feita por mim), várias Estrelas da Morte para pendurar nas árvores (feitas por mim), bandeirolas decorativas para a comida (feitas por mim), bonecos, peluches, Legos, etiquetas para a comida (feitas por mim), bandeirola para o bolo de anos (feita por mim, e modéstia à parte ficou muito gira!), consumíveis e placas temáticas para o Photo Booth (feitas por mim). Faltam os pratos, travessas e tigelas para colocar a comidinha, o fatinho de Yoda para o Mati (sim, isso vai totalmente acontecer) e mais um ou outro detalhe.

E tudo isto faz-me pensar em como sempre me senti uma nódoa em tudo o que envolvesse coisas mais artísticas. Os meus professores faziam as minhas prendas do dia da mãe e do pai (porque eu era muito má), tinha sempre péssimas notas a artes (porque era muito má) e nunca gostei de desenhar ou pintar (porque era muito má)... E agora aqui estou, a cortar e colar coisas que até ficam aceitáveis (não ficam brilhantes, mas ficam giras!). Enfim, realmente o céu é o limite quando queremos realmente fazer algo :D

Deixo-vos com algumas das coisas que tenho andado a fazer :)

Convites
Uma das placas do Photo Booth. Foi só fazer, imprimir em cartolina, recortar, colar um pauzinho, deixar secar e voilá!
Uma das etiquetas da comida. Foi só fazer, imprimir e recortar. Ainda não decidi definitivamente como vou colocar as etiquetas. Talvez use os Legos, se não ficar demasiado sobrecarregado de coisas do Star Wars (kidding, como se isso fosse possível!).

Etiqueta para os talheres :)
Uma das bandeirolas para a comida. A história é a mesma: imprimir, recortar, colar pauzinho, deixar secar :)
 E pronto, a aventura continua! :D

6 de março de 2017

Somos cray-cray?

- Tínhamos combinado que o Mati passava a comer o iogurte na escola porque elas disseram que era natural, mas e se for natural açucarado?
- É verdade, amanhã tens de perguntar.
- Mas será que elas não vão achar que somos cray-cray?
- Xizinha, nós levamos as nossas próprias papas para a escola. Elas já acham que somos cray-cray.

* Hoje perguntei e são mesmo naturais sem açúcar.

2 de março de 2017

8 Pavlovas deliciosas :D

1. Pavlova de cacau com chantilly, doce de leite e banana
7. Pavlova de cacau com chantilly de Nutella, avelãs e cobertura de Nutella





Matias passa de ano.

Ontem foi o primeiro dia do Matias na sala nova da creche. Entrou no berçário no dia 1 de Janeiro, e dois meses depois passou de ano e entrou na sala da aquisição da marcha. E eu? Eu fiquei nostálgica.

O meu filho está a crescer. É certo que tudo se passa devagarinho, mas também é certo que todas as semanas há aprendizagens diferentes, há metas atingidas, há capacidades novas adquiridas. O meu filho manda-me beijinhos quando eu me despeço dele na creche. O meu filho anda agarrado aos móveis ou à nossa mão. O meu filho come comida a sério aos bocados pequeninos. O meu filho diz papapapapa e babababa. O meu filho continua a rir-se às gargalhadas das nossas palhaçadas. O meu filho é muito curioso e passa a vida a cair porque está sempre a meter-se em sarilhos.

E nós deixamos que ele caia. E depois abraçamo-lo muito, damos-lhe imensos beijinhos, esperamos que ele pare de chorar e mandamo-lo para o mundo para cair novamente.

O meu filho está a crescer, e é todos os dias um bocadinho menos meu. E eu gosto muito dessa sensação, juro que sim. Mas fico nostálgica na mesma.

Esta mudança de sala marca também o início na integração na alimentação da creche. Agora o Mati vai passar a comer a sopa, o prato, a fruta e o iogurte lá, e nós vamos passar apenas a mandar as papas (sim, somos fundamentalistas, sim, já sei). E confesso que estamos a delirar com a mudança, até porque nos vai poupar bastante tempo :) O Mati já come tudo, à excepção da clara de ovo, do leite de vaca e das frutas e legumes que só se inserem depois dos doze meses (o kiwi, as framboesas, os espinafres, etc), por isso não esperamos que ele se integre mal na alimentação da creche. O primeiro dia é amanhã, por isso vamos ver como corre :)


28 de fevereiro de 2017

Quem é vivo sempre aparece.

Não, não morri. Fiz exame no dia 9, e correu tão bem (not) que passei as últimas três semanas a chafurdar em auto-comiseração, a zangar-me com toda a gente, a chorar histericamente e a ponderar desistir da especialidade. Enfim. Gostava muito de dizer que esta fase horrível já passou, mas na verdade continuo altamente triste, irritada e cansada. Por outro lado, a tristeza faz-me investir em coisinhas para a casa, por isso remodelei a casa-de-banho (era azul escura e cinzenta e agora é azul e verde), mudei prateleiras, comprei novos baldes para a reciclagem, enchi a cozinha de flores e reciclei a minha colecção de canecas, entre muitas outras coisas. Nada como ter a casa organizada para ficar com aquela falsa ideia de que sou uma adulta a sério que está a conseguir controlar com sucesso a sua vida.

Na verdade, as últimas semanas não foram assiiiim tão más. Contratámos uma empresa de limpezas profundas e ficámos com a casa a brilhar, saímos algumas vezes a dois, finalizámos os detalhes de uma das nossas viagens, marcámos outra viagem já para daqui a uma semana e meia... E o Mati continua o mesmo patuscão bão.

Já com nove meses e meio, o senhor Matias voltou a dormir a noitinha toda (finally!). Já anda muito bem agarrado, e já parece querer começar a andar sozinho. Amanhã vai passar o seu primeiro dia na sala 'dos crescidos' (já passou do berçário para a sala da aquisição da marcha), mas na semana passada andou a fazer a adaptação e correu tudo bem. Tem comido lindamente. Já dá beijinhos e é absolutamente amoroso. Enfim, há tantas coisas novas que vou tentar fazer uma publicação só com elas. Até lá, aqui vão algumas fotos dos últimos tempos. Regresso em pleno quando acabar de lamber as feridas.

7 de fevereiro de 2017

Filho de paizinhos médicos.

Durante a gravidez expressei no blog o meu descontentamento perante o facto de as pessoas agirem de forma diferente connosco por sermos médicos e falei da minha preocupação em relação à possibilidade do patuscão sofrer do síndrome 'filho de paizinhos médicos'.

Na altura fui um bocadinho mal-interpretada (principalmente por colegas médicos que viram o meu texto como uma crítica à classe médica), mas sinceramente continuo a ter a mesma opinião. Mas há algo que mudou: agora consigo perceber as vantagens indiscutíveis de ser o filho dos paizinhos médicos. Senão vejamos:

Na madrugada de Segunda-feira o Matias acordou às 2h a choramingar. Nada de muito estranho para as nossas rotinas actuais (o Mati que dormia 12h seguidas foi substituído há um mês por um gémeo maléfico que acorda uma ou duas vezes durante a noite com vontade de fiesta), mas no entanto começámos logo a desconfiar que algo se passava. Eu fui lá, dei-lhe colinho, ele eventualmente acalmou, voltei a deitá-lo... E passado meia hora a choraminguice recomeçou. E assim continuou numa sucessão de episódios deste género, até que às 5h percebi que ele estava bastante quente. Medi-lhe a febre: 39º. Chamei o Pedro.

Auscultámo-lo. Vimos os ouvidinhos dele com o otoscópio (sim, temos um otoscópio em casa). Vimos a garganta com uma espátula. Fizemos a palpação abdominal. Vimos a pele à procura de manchinhas. Fizemos a limpeza do nariz com soro. Demos-lhe água. Fizemos as continhas à dose adequada de paracetamol, demos-lhe e depois ficámos com ele no quarto até ele se acalmar.

4h depois a febre regressou. Fiz as continhas à dose de ibuprofeno, dei-lhe. 4h depois, novo pico febril. Novo exame objectivo, sem nada de especial (alguma tosse, uma ranhoca inocente). Entretanto surgiu uma-espécie-de-diarreia.

Hoje o Matias já está melhor. Sempre fomos fiéis à velha técnica do 'avinha-te, abifa-te e abafa-te', por isso o miúdo tem estado o máximo de tempo possível no quentinho da caminha (hoje dormiu três horas seguidas de manhã e já está a dormir há uma hora), tem comido o que consegue (vamos insistindo na sopa e na fruta) e tem bebido bastante água (porque a parte do avinha-te não é recomendada para menores de 18 anos).

E nós estamos relaxados. Somos médicos. Já nos passaram pelas mãos um montão de miúdos doentes. Sabemos fazer um exame objectivo, diagnosticar a maioria das situações (não é difícil: são viroses!) e fazer o tratamento necessário (muitas vezes é basicamente esperar que passe e ir fazendo o tratamento de suporte).

Afinal, talvez ser filho de paizinhos médicos não seja assim tão mau... Certo? :)

E tudo surgiu com uma bola de Berlim.

Há uns bons tempos vi num blog que sigo (e cuja autora também me segue) uma foto de um bebé de nove meses a provar uma bola de Berlim, e confesso que na altura fiquei horrorizada. Não imaginava o que poderia motivar alguém a dar um bolo frito a um bebé, e tendo em conta a quantidade de informação sobre nutrição que há por aí hoje em dia e a prevenção da obesidade infantil em que a nossa sociedade tem apostado, parecia-me absolutamente negligente alguém cometer tal atrocidade.

Foi o que eu pensei na altura, do alto da minha superioridade moral. E é quase engraçado olhar para as convicções que tinha no passado e perceber que a vida me ensinou entretanto que há muito poucas certezas.

Já falei aqui no blog sobre a minha postura em relação à alimentação do Matias. Temos usado um misto de introdução alimentar 'normal' com baby-led weaning, o que faz o Mati comer coisas absolutamente normais (sopas, papas caseiras, frutas) intercaladas com tudo aquilo que lhe parece cativar a atenção. E é assim que o meu filho já comeu morangos, queijo, iogurte grego natural, manteiga de amendoim, pão com manteiga... E, mais recentemente, um bocado de bolacha de amendoim com chocolate.

Sim, aquela receita que já fiz umas trinta mil vezes cá em casa e que adoramos. Com ovos. Com amendoim. Com chocolate. Com açúcar. Com manteiga. Com tudo o que faz mal.

Mal comecei a comer o miúdo ficou logo a olhar para mim, e quando estendeu a mão para eu lhe dar um bocadinho eu dei. Ele levou a bolacha à boca, fez um ar de 'OMG mamã, best thing ever', comeu aquilo tudo e voltou a estender a mão. E eu dei-lhe mais um bocado.

E talvez pareça um contra-senso ele comer os iogurtes naturais com menos açúcar que encontrei no mercado e nunca ter comido uma papa de compra, mas eu não ver qualquer problema em dar-lhe a provar bolachas degradantes. E talvez estejam desse lado com a mesma postura condescendente com que eu olhei para aquele bebé que provava a bola de Berlim.

Mas hoje eu percebo. Hoje percebo que o mundo não é a preto e branco. Que a parentalidade não é a preto e branco. Que não somos perfeitos ou negligentes.

Ser mãe tornou-me numa pessoa menos perfeita. Mas garanto-vos que me tornou numa pessoa indiscutivelmente melhor. Mais empática, mais compreensiva... E mais feliz.

E tudo surgiu com uma bola de Berlim :)
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